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Comme Des Garcons começou sua história em 1969, quando a designer Rei Kawakubo, nascida em Tóquio, fundou no brand, impulsionada pela vontade de romper convenções e questionar a forma do vestuário. O nome da grife, inspirado em uma frase francesa que significa “como os meninos”, refletia já de início a proposta de um design que desafiava as fronteiras do masculino e do feminino, do belo e do estranho. A marca efetivamente ganhou notoriedade nos anos 1970, ao apresentar coleções no Japão repletas de peças desconstruídas, cores predominantemente escuras e volumes inusitados. Em 1981, Kawakubo levou sua primeira coleção a Paris, inaugurando uma onda de rupturas estéticas e atiçando a crítica ocidental, que com frequência descrevia suas roupas como “ragged”, “feias” ou “incompletas,” mas também profundamente instigantes. À medida que a comunidade fashion reagia, veio a consagração internacional, transformando Comme des Garçons num sinônimo de vanguarda absoluta.
Nos anos 1980 e 1990, Comme Des Garcons consolidou-se como uma força radical nas passarelas, expandindo linhas e criando sub-rótulos – como Comme Des Garçons Homme, Homme Plus e, mais tarde, a linha Play – cada qual com identidade própria, mas mantendo a constante de “anti-moda” e experimentação. Kawakubo explorava modelagens assimétricas, tecidos de aspecto inacabado e colaborações inusitadas, invertendo lógicas de beleza e harmonia. Em paralelo, o brand inaugurou butiques-conceito ao redor do mundo, as chamadas “Guerrilla Stores,” com identidades arquitetônicas marcantes, que funcionavam como espaços de experiência. No final dos anos 1990, a casa intensificou as parcerias com artistas plásticos e grifes de calçados, resultando em edição de tênis, sapatos e coleções-cápsula com tênis ao mesmo tempo subversivos e cultuados pela cena street-lux. A adoção de parcerias com marcas famosas (como Nike e Converse) para a linha Comme Des Garçons Play consagrou o icônico logo com coração – desenhado por Filip Pagowski – nos guarda-roupas de todo o mundo. Hoje, a etiqueta equilibra o caráter conceitual das coleções principais com produtos mais acessíveis, sem jamais trair o espírito irreverente.
No presente, Comme Des Garcons segue redefinindo linguagens estéticas e questionando a superficialidade, ao mesmo tempo em que suas subdivisões – de perfumes experimentais a camisetas com o coração – alimentam um público amplo e ávido por inovação. No ateliê em Tóquio, Rei Kawakubo, ainda líder criativa, articula volumes exagerados, recortes dramáticos e cores cruas ou saturadas em suas coleções, apresentadas na Paris Fashion Week. A marca também se notabiliza por abrigar, no Dover Street Market, um espaço multi-grife que encapsula o conceito e a união de múltiplas expressões da moda. Das passarelas aos colabs com artistas e designers, Comme Des Garcons nunca deixa de questionar, desconstruir e reimaginar o que vestimos. Entre o minimal e o anárquico, a grife continua a provocar emoções e reflexões, mantendo-se líder na cena da moda conceitual.
Modelos dos Produtos Mais Icônicos da Marca
Vestido Desconstruído “Lumps and Bumps”
Um ícone da fase de experimentações dos anos 1990, os vestidos “Lumps and Bumps” compunham volumes e protuberâncias disformes, alterando a silhueta feminina de maneira disruptiva. Feitos em tecidos pesados, com costuras que realçavam saliências e curvas, simbolizaram a “arte de desafiar” da marca.
Camiseta “Play” com Coração
Já no universo pop, a camiseta Play com o coração – criação do artista Filip Pagowski – tornou-se o best-seller e rosto mais conhecido da maison. Em malha de algodão, exibe esse pequeno coração com olhos, transformando-se em uniforme street, adotado por celebridades e fãs que desejam exibir o lado mais lúdico e acessível de Comme Des Garçons.
Sapatos “Homme Plus” de Plataforma
A linha Homme Plus explorou calçados pesados, como sapatos plataforma em couro, com solados exagerados e acabamentos agressivos. Essas peças assumem um ar punk e futurista, mantendo a construção de alta qualidade, ideal para amantes de moda que não temem ousar em cada passo.
Modelos Mais Luxuosos e Edições Limitadas da Comme Des Garcons
Coleções-Cápsula do “Artisanal”
Frequentemente, a grife apresenta coleções artesanais, em que cada peça recebe intervenções manuais – bordados, colagens de tecido, estampas únicas. Essas linhas costumam surgir nas passarelas de Paris em tiragens limitadas, alcançando valores elevados, pois cada item funciona quase como peça de galeria.
Parcerias “Fusion” com Casas de Luxo
A marca já criou edições de sapatos e bolsas com grifes como Hermès (lenços reinterpretados), Nike (tênis personalizados) e até joias minimalistas em parceria com joalheiros japoneses. Tais colaborações apresentam estéticas híbridas e são disponibilizadas em poucas lojas, tornando-se itens altamente disputados.
Perfumes Conceituais e Instalações
Além de vestuário, a casa produz perfumes que desafiam convenções, unindo acordes improváveis (terra, metal, cola) em frascos minimalistas e seriados. Em algumas situações, as fragrâncias lançadas em coleções exclusivas acompanham instalações artísticas ou editoriais, reforçando o caráter limitado e imaterial do luxo.
Conclusão
Comme Des Garcons concretiza, desde 1969, a subversão das formas e a poesia da moda no Japão, revelando ao ocidente um conceito de vestuário que transcende a mera função. Sob a liderança de Rei Kawakubo, a marca encarnou a destruição criativa, a liberdade estética e a “não conformidade,” transformando desfiles em performances e peças em obras de arte. De vestidos disformes “Lumps and Bumps” às colaborações com grandes grifes, Comme Des Garcons brinda o público com constante renovação, mantendo um pé no underground e outro na sofisticação. Seja nas linhas mais acessíveis, como Play, ou nas coleções couture repletas de volumes extravagantes, a assinatura vanguardista permanece invicta, mantendo a maison como baluarte da moda experimental e referência para gerações de estilistas.
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