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Maurice Lacroix, oficialmente introduzida em 1975, é uma marca de alta relojoaria suíça que se notabiliza pela junção de complicações audaciosas e uma estética voltada ao público contemporâneo que exige estilo e excelência. Sediada em Saignelégier, no cantão de Jura, ela construiu sua reputação ao longo das últimas décadas, abraçando tanto a herança relojoeira do país quanto soluções modernas de engenharia. Hoje, a Maurice Lacroix se destaca por coleções que abrangem desde modelos clássicos até relógios esportivos de vanguarda, com uma abordagem que valoriza a arte de manufaturar calibres automáticos internamente e a busca de designs que marquem a individualidade de cada peça.
A Trajetória Histórica que Converteu uma Jovem Marca em um Símbolo de Inovação
O nome Maurice Lacroix surgiu em 1975, fruto de uma divisão relojoeira pertencente a um grande grupo de distribuição (o Desco von Schulthess). A ideia era controlar a produção de relógios suíços, desenvolvendo calibres e dials internamente. Nos anos 1980, a marca lançou os primeiros modelos com movimentos quartz, atendendo à demanda do período, mas sem renunciar à qualidade típica. O grande salto ocorreu no início dos anos 1990, com a introdução de linhas mecânicas, que foram gradualmente apresentando complicações mais avançadas.
Em 2006, a Maurice Lacroix ingressou na categoria de marcas com “verticalização” mais robusta, inaugurando sua própria manufatura de componentes em Saignelégier, permitindo desenvolvimento de movimentos in-house. Essa empreitada rendeu criações icônicas como o Masterpiece Roue Carrée e o Masterpiece Gravity, que apresentavam soluções singulares para o escapamento. Aliás, a linha Masterpiece tornou-se o laboratório de inovações, projetando a marca para o seleto grupo de empreendedores relojoeiros que equilibram design inventivo, engenharia complexa e um posicionamento de valor relativamente competitivo em comparação a outras maisons suíças.
Modelos de Relógios Mais Icônicos da Marca
Masterpiece Roue Carrée Seconde
O Masterpiece Roue Carrée Seconde é o mais emblemático e definidor do espírito vanguardista da Maurice Lacroix. Lançado em 2010, este relógio se destaca por um mecanismo de engrenagens de forma quadrada e triangular que marcam os segundos de forma inusitada, visíveis no dial. A caixa de cerca de 43 mm, geralmente em aço ou ouro, abriga um calibre manual in-house, exibindo pontes decoradas com “Côtes de Genève” e polimento minucioso. O disco quadrado gira de modo hipnótico, traduzindo uma ousadia que poucos se atrevem a explorar.
Masterpiece Gravity
Para revelar a beleza do escapamento, o Masterpiece Gravity introduz uma disposição esqueletizada em que se enxerga claramente a roda de balanço. O design do dial combina ponteiros descentrados para as horas e minutos, enquanto o balanço vibra em um setor destacado. Em 43 mm, a caixa pode ser em titânio ou aço DLC, e o movimento automático, desenvolvido internamente, oferece ~50h de reserva de marcha. O “Gravity” reforça a mensagem de que a Maurice Lacroix domina a arte mecânica e a exibe de modo sedutor.
Aikon Automatic
Inspirado em um modelo dos anos 1990 denominado “Calypso,” o Aikon Automatic tornou-se o pilar de design esportivo-lux da marca. O bezel característico, com seis “alas” salientes, chama a atenção, enquanto a caixa (39-42 mm) combina polimento e escovado. O dial pode vir em azul ou preto, com índices aplicados e janela de data às 3h. O calibre automático (Sellita SW200 modificado) garante confiabilidade, enquanto a pulseira integrada em aço confere estilo urbano-chique. O Aikon também tem versões cronógrafo e quartz, sempre reforçando a robustez e ergonomia.
Modelos de Relógios Mais Raros e Edições Limitadas da Marca
Masterpiece Roue Carrée Seconde “Black Gold”
Em cerca de 99 exemplares, a Maurice Lacroix inseriu a engrenagem quadrada em ouro rosa, contrastando com o dial preto fosco. A caixa em aço DLC (43 mm) e o movimento manual decorado (ML 156) fazem parte do kit. O rotor? Como é manual, não há rotor. O aro do fundo exibe gravação “Black Gold LE,” numerada. Rapidamente se esgotou, dado o fascínio gerado pelas engrenagens geométricas.
Masterpiece Gravity “Meteorite Dial”
Em edições de 50 peças, a marca apresentou um dial em meteorito real, com textura “Widmanstätten” visível, e a roda de balanço aberta em destaque. A caixa em titânio polido (43 mm) e o movimento de corda automática, com ponte do balanço aparente, intensificam a sensação “cosmológica.” Cada exemplificar é numerado no anel do fundo safira, tornando-se item de coleção para quem busca rareza e vanguardismo.
Aikon Skeleton “Urban Tribe”
Em algumas coleções especiais, a Maurice Lacroix esqueleto o dial do Aikon, revelando parte do calibre automático. Na edição “Urban Tribe,” 250 exemplares, a marca adicionou gravações tribais no bezel e nas asas, além de um rotor esqueleto decorado. O aço 316L (42 mm) polido garante robustez, e a pulseira metálica segue o padrão “integrado” do Aikon. Rapidamente esgotada, caiu nas graças de um público que almeja uma distinção mais forte.
Pontos Lunares Retrograde
A Maurice Lacroix também criou raras séries de fase lunar com data retrógrada, normalmente encaixadas na linha Masterpiece. Em 88 exemplares, o dial esmaltado exibiu uma data retrógrada em arco, fase de lua às 6h e subdial de segundos às 9h. O calibre manual ML 190 possui uma ponte de âncora decorada em “snailing.” O aro do fundo indica “Phase de Lune Retrograde LE,” enumerando cada peça, voltada a colecionadores aficcionados por complicações clássicas, porém interpretadas de forma moderna.
As Principais Tecnologias que a Marca Utiliza para Fabricar seus Relógios
A Maurice Lacroix investe no desenvolvimento interno de movimentos, especialmente na linha Masterpiece, onde projeta soluções inventivas (Roue Carrée, Gravity, retrograde). Ao mesmo tempo, recorre a calibres base da ETA ou Sellita nas coleções de entrada, como Aikon ou Pontos.
In-house Movements e Módulos: Nos modelos icônicos da Masterpiece, a marca projeta módulos de complicação e integra ao calibre principal. O Roue Carrée Seconde, por exemplo, exigiu engenharia para garantir torque e encaixe perfeito das engrenagens quadrada e triangular.
Uso de Materiais Complexos: O Aikon e alguns Masterpiece contam com titanium, aço DLC e também mostradores em meteorito ou pedra ornamental. A manipulação de tais materiais demanda técnicas específicas de corte, polimento e fixação de pontes.
Decorações Manuais: As platinas, pontes e rotores exibem polimento “anglage,” Côtes de Genève ou perlage, confirmando a finalização tradicional. Em modelos com dial esqueletizado, o desenho das pontes visa combinar robustez com impacto estético.
Design Esportivo-Lux: O caso do Aikon Automatic. Ele adota uma pulseira “integrada,” que se encaixa perfeitamente na curvatura da caixa. Esse design requer prototipagem 3D e testes ergonômicos para garantir o ajuste suave no pulso.
Complicações Retrogrades e Fase Lunar: Em algumas peças, a Maurice Lacroix utiliza módulos retrogrades para data e reserva de marcha, demandando engrenagens especiais que deslocam o ponteiro de volta ao zero. Essa arquitetura mecânica eleva a complexidade do calibre e demanda ajustes minuciosos.
Conclusão
A Maurice Lacroix, surgida em 1975 e sediada em Saignelégier, Suíça, conquistou relevância na alta relojoaria graças à união de design inventivo, complicações técnicas e um posicionamento de custo-benefício atrativo frente a casas mais antigas. A linha Masterpiece encapsula a ousadia, com modelos como o Roue Carrée Seconde e o Gravity exibindo soluções mecânicas inéditas. Já o Aikon traz uma abordagem esportiva, agradando um público urbano e sofisticado. Edições limitadas, seja com meteorito, turbilhão ou dials esmaltados, reforçam a exclusividade e a vocação para inovação artística. E assim, a Maurice Lacroix comprova que não é preciso ter séculos de história para dominar a arte relojoeira: basta conciliar o respeito pelas tradições suíças com uma sede constante de modernidade.
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