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A marca Issey Miyake teve suas fundações na vida e obra do estilista japonês Issey Miyake, nascido em Hiroshima, em 1938. Formado em artes gráficas, ele migrou para Paris nos anos 1960, fascinado pela haute couture europeia, ao mesmo tempo em que manteve uma conexão profunda com a cultura tradicional do Japão. Durante estágios na Guy Laroche e na Givenchy, Miyake assimilou técnicas de alta-costura, mas com um olhar crítico que o incentivou a propor uma moda livre e em sintonia com a tecnologia. Em 1970, de volta a Tóquio, fundou seu estúdio, onde começou a desenvolver roupas que equilibravam forma e função, unindo materiais inovadores e um senso estético minimalista. Ganhou visibilidade internacional com exposições e desfiles que mostravam peças que se abriam, dobravam e brincavam com a geometria – abrindo caminho para um estilo autoral, repleto de plissados e experimentos têxteis.
Com o tempo, o nome Issey Miyake se consolidou como sinônimo de vanguarda, tanto no Japão quanto em palcos mundiais como Paris e Nova York. Linhas como Pleats Please, A-POC (A Piece of Cloth) e Bao Bao transformaram a forma de pensar a moda, introduzindo a plissagem industrial, o design modular e o uso de fibras sintéticas de alta performance. Para além das roupas, o estilista investiu em colaborações artísticas e na perfumaria (conhecida pelo icônico “L’Eau d’Issey”), perpetuando a busca pela beleza funcional e pela liberdade do corpo. Mesmo após a aposentadoria de Miyake, a maison seguiu desenvolvendo coleções sob a supervisão de diretores criativos que honram o legado de tecnologia, conforto e poesia, mantendo a grife Issey Miyake entre as mais importantes do cenário fashion contemporâneo.
Modelos de Produtos Mais Icônicos da Issey Miyake
Pleats Please
Possivelmente a linha mais conhecida do estilista, Pleats Please surgiu nos anos 1990, a partir de uma técnica de plissagem industrial aplicada em tecidos sintéticos. Ao contrário da plissagem manual tradicional, esse processo ocorre depois que a peça já está cortada e costurada, garantindo que as pregas se adaptem perfeitamente ao corte final. O resultado são roupas leves, de secagem rápida, que não amassam e valorizam a mobilidade do corpo. Vestidos, calças e blusas em cores vibrantes ou neutras compõem o repertório, celebrando o movimento e o minimalismo.
A-POC (A Piece Of Cloth)
Lançada no fim dos anos 1990, a A-POC é uma linha que explora a ideia de criar peças inteiras a partir de um único rolo de tecido, usando processos de tecelagem computadorizada. O nome remete a “A Piece Of Cloth” – onde cada peça pode ser recortada e ajustada pelo próprio usuário, promovendo zero ou pouco desperdício de material. Vestidos, suéteres e meias são “tricotados” em um processo contínuo, sem costuras aparentes, e podem ser customizados conforme o gosto de cada pessoa. Essa filosofia de modularidade e design sustentável tornou-se pioneira no conceito de moda inteligente.
Bao Bao Bags
Dentro dos acessórios, as bolsas Bao Bao se tornaram emblemáticas pelo uso de triângulos geométricos em PVC, montados sobre base de malha flexível. Essas placas criam padrões futuristas e transformam a bolsa em uma superfície mutável conforme o movimento. As cores vão desde o preto e o branco minimal até tons metálicos ou neons, conquistando tanto fãs de street style quanto admiradores de arte digital. Em versões tote ou clutch, a Bao Bao reflete a obsessão de Miyake pela experimentação de forma e matéria.
L’Eau d’Issey
Para a perfumaria, o destaque recai em L’Eau d’Issey (1992), a primeira grande fragrância da maison, que interpretou o conceito da água pura combinada a acordes florais. O frasco, em formato cônico, com uma esfera metálica no topo, tornou-se inconfundível, assim como o aroma leve, com notas de lírio e flor de lótus, que faz referência a uma filosofia de simplicidade e harmonia. Ao longo do tempo, surgiram versões masculinas (“L’Eau d’Issey Pour Homme”) e variações sazonais, mantendo o apelo de frescor e sofisticação.
Issey Miyake Men
A linha masculina da grife, embora menos difundida que as inovações femininas, traz o DNA experimental em alfaiatariae utilitários funcionais. Modelagens amplas, tecidos tecnológicos, zíperes posicionados de maneira inusitada e a aplicação de plissados discretos ou listras geométricas marcam os blazers, casacos e calças pensados para um homem urbano que valoriza praticidade e estilo. As cores, em geral, são sóbrias, como preto, cinza e marinho.
Produtos Mais Luxuosos e Edições Limitadas da Issey Miyake
Coleções de Alta-Costura e Peças Esculturais
Ainda que a marca seja reconhecida por seu espírito prático, há coleções especiais e peças conceituais lançadas em passarelas de Paris que atingem o status de alta-costura. Exemplos incluem vestidos-escultura, como estruturas de “origami” em tecido, que exigem horas de plissagem manual e aplicação de tecnologia de vanguarda. Tais peças, geralmente, ficam restritas a exposições e clientes dispostos a investir em arte vestível.
Pleats Please Edições Artísticas
A linha Pleats Please ganha, periodicamente, colaborações com artistas e designers, resultando em estampas exclusivas, colorways diferenciadas ou padronagens inspiradas em movimentos de arte moderna. Em geral, são lançados sob uma tiragem pequena, alcançando alto valor de revenda entre colecionadores da marca. Cada tecido plissado surge como uma tela em branco, sobre a qual se imprimem pinturas ou grafismos, reforçando a ideia de que moda também é expressão cultural.
Bao Bao Edições Futuristas
No segmento de acessórios, algumas versões da Bao Bao apresentam acabamentos holográficos, triângulos espelhados ou colorações “oil slick”, parecendo superfícies líquidas que refletem o ambiente. Em coleções-limite, as alças podem trazer cristais ou ferragens em metal polido, elevando o custo e a raridade da peça. Diversas celebridades têm aderido a esses lançamentos como statement item, unindo moda e high-tech.
Perfumes de Colecionador
Embora a base da perfumaria Issey Miyake seja o L’Eau d’Issey, surgem edições especiais em parceria com “nez” (perfumistas) renomados, que adicionam notas atípicas ou reinterpretam o conceito de água em direções florais, marinhas ou amadeiradas. Nesse contexto, podem surgir frascos lapidados em vidro colorido, tampas de edição limitada ou até designs assinados por grandes nomes do design industrial. Cada versão limitada costuma chegar a butiques selecionadas e gerar disputa entre os aficionados por fragrâncias.
Exibições em Museus e Linhas-Exposição
O trabalho conceitual dos designers gera convites para museus de arte e moda, onde a Issey Miyake exibe coleções passadas ou peças exclusivamente criadas para essas exposições. Em alguns casos, a marca lança produtos sob o rótulo “exhibition line”, destinados a celebrar a mostra em questão. Essas peças trazem estampas inspiradas na instalação ou nas temáticas da exposição, vendidas a visitantes e entusiastas, finalizando-se em edição hiper-limitada.
Conclusão
A Issey Miyake atravessou os mares do design têxtil ao unir a sofisticação formal japonesa, o minimalismo e a experimentação tecnológica. Desde os primeiros passos de Issey Miyake na alta-costura parisiense, com vestidos escultóricos e desconstruídos, até os sucessos comerciais como Pleats Please, Bao Bao e L’Eau d’Issey, a grife consolidou-se como um pilar de inovação e funcionalidade. O diálogo entre arte, engenharia e moda define cada plissado ou cada alça geométrica de suas bolsas, conquistando admiradores de todos os continentes. Seja em uma peça pronta para vestir do dia a dia ou em uma criação conceitual de passarela, a Issey Miyake continua revelando a magia de transformar fios e tecidos em pura poesia contemporânea.
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